29 de fev. de 2016

Trailer...

Release.

Foto de Tânia Paes


     Cinco de agosto de 1962:  o mundo recebia, com surpresa e incredulidade, a notícia de que Marilyn Monroe, uma das maiores estrelas do cinema americano, havia sido encontrada morta em sua casa de Beverly Hills, na Califórnia. Aos 36 anos de idade, no auge da beleza e da popularidade, Marilyn, mais do que qualquer uma antes ou depois dela, tinha sim saído da vida para entrar na história. Suas constantes crises de depressão, o romance-relâmpago com o homem mais famoso do mundo, o presidente americano John  Fitzgerald Kennedy, o casamento com Arthur Miller, o dramaturgo mais prestigiado dos Estados Unidos,  os filmes de sucesso, o tardio reconhecimento da crítica, as imagens inesquecíveis e icônicas exploradas impiedosamente até hoje, o incomparável apelo sexual e principalmente as circunstâncias misteriosas de sua morte, jamais esclarecidas, alimentam até hoje a sobrevida do maior mito que a indústria do show business foi capaz de produzir.
     Cinco de agosto de 2014: exatos 52 anos após sua morte, Marilyn Monroe, não exatamente o mito, mas a mulher de personalidade tão fascinante quanto estilhaçada, ressurge no palco do Viga Espaço Cênico no espetáculo Tempos de Marilyn, escrito pelo dramaturgo Sérgio Roveri e dirigido por José Roberto Jardim. A partir de um encontro revelador entre o mito Marilyn e a mulher Norma Jean, seu nome de batismo, a peça procura dar vozes a dezenas de personagens que falam sobre ou com Marilyn, entre eles o presidente Kennedy, os fãs inconformados com seu desaparecimento precoce, os diretores de seus filmes e até sua professora de interpretação.
     Ainda que atemporal, a história pode se localizar naquela que seria a última noite de Marilyn, quando a atriz de clássicos como Quanto Mais Quente Melhor, Adorável Pecadora e O Pecado Mora ao Lado surpreende-se com a visita de uma Norma Jean disposta a cobrar tudo aquilo de que abriu mão, incluindo aí o próprio corpo, a história pessoal e as feições do rosto, em prol do surgimento e manutenção da estrela. Tempos de Marilyn, assim, pode ser visto como um comovente embate entre criadora e criatura, sem que estejam estabelecidas as fronteiras que determinam onde começa uma e onde termina a outra. 

Figurinos, Direção de Arte e Fotografias


      O conceito proposto pela direção é acompanhado pelo tratamento sofisticado que o espetáculo recebeu da direção de arte e figurinos criados por Caio da Rocha e pela fotografia conceitual de Victor Affaro, que também assina o design de luminárias, criadas exclusivamente para o espetáculo. Rocha e Affaro procuraram fugir de todas aquelas imagens que fazem remissão direta ao mito: o cabelo platinado, os lábios vermelhos, as formas exuberantes e provocativas. A Marilyn que surgiu do ateliê de Caio da Rocha e das lentes de Victor Affaro é uma mulher fragmentada, feita de pequenas partes de corpos que tentam vencer a escuridão para ganhar a luz. Nos figurinos e nas fotos, Marilyn nunca se revela em sua totalidade, mas o pouco dela que chega aos olhos é suficiente para explicar porque Marilyn foi Marilyn e as outras foram as outras.


 
Croquis de Caio da Rocha

Foto de Victor Affaro


    

Ficha Técnica.



Texto: Sérgio Roveri
Direção: José Roberto Jardim
Elenco: Débora Vivan, Lívia Lisbôa e Priscila Oliveira
Figurino e direção de arte: Caio da Rocha
Fotografia e design de luminárias: Victor Affaro
Trilha sonora, cenografia e iluminação: José Roberto Jardim
Vídeo: Tânia Paes
Produção: Companhia de Teatro Portrait
Assistente de Produção: Mateus Menezes

A Companhia de Teatro Portrait.

   
     A Companhia de Teatro Portrait tem a sua trajetória iniciada formalmente e sob esse nome apenas no final de 2014, após  viajarem juntos para Florença, na Itália, a convite de Giusi Merli para que a dupla adaptasse e dirigisse além mar uma versão italiana do seu espetáculo Tempos de Marilyn.
     Mas o primeiro encontro artístico, anterior a essa formação em que se encontram hoje, com Jardim dirigindo e Roveri escrevendo, aconteceu em 2003 por conta da montagem do texto O Encontro das Águas, no qual Jardim além de atuar também produziu esse espetáculo, que contava com Alberto Guzik na direção. Este espetáculo cumpriu uma temporada de nove meses no teatro dos Satyros além de viajar por diversas cidades do interior do estado de São Paulo, onde ganhou prêmios de melhor espetáculo, texto, iluminação e cenário no Festival de Americana e de melhor ator no Festival de Jales.
     Em 2009 inicia-se a formação que hoje vemos nessa companhia, mas que ainda não assumia o nome Portrait, à serviço da criação do espetáculo ABERDEEN – Um Possível Kurt Cobain. Esse espetáculo foi gestado por um ano e meio e teve sua estreia realizada à convite da secretaria de cultura da cidade de São Paulo no ano de 2011 na Sala Olido devido as comemorações do mês do rock. Posteriormente o espetáculo foi novamente convidado pela secretaria de cultura para outra temporada, agora,  no teatro Cacilda Becker. Aberdeen ainda viajou pelo interior do estado de São Paulo em 2012, participando do Circuito Paulista de Teatro, e neste mesmo ano, ainda cumpriu uma bem sucedida temporada no Sesc Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro. 
     Em 2013 a cia. apresenta o texto Qualquer dia com você, comigo, com qualquer um no evento da Satyrianas à convite de Ivam Cabral e Rodolfo Garcia Vasquez. Este texto viria a ser o embrião do espetáculo OPUS 12. Neste mesmo ano, em maio, iniciam os ensaios e pesquisas do que viria a se tronar o espetáculo Tempos de Marilyn no ano seguinte.
     Em janeiro de 2014, após Roveri ter escrito os complementares Um Dia e Uma Noite, estreiam no teatro Club Noir o espetáculo OPUS 12 Para Vozes Humanas, que ficou 3 meses em cartaz, posteriormente realizando mais 2 meses de temporada no teatro dos Satyros 1.  Em novembro, deste mesmo ano, fez uma curta temporada na cidade do Rio de Janeiro, no teatro Gamboa, à convite dos seus produtores e programadores.
     Em agosto de 2014 estreiam o espetáculo Tempos de Marilyn no teatro Viga onde ficam por 4 meses em cartaz. No final deste mesmo ano, em dezembro, foram convidados para apresentarem um panorama da companhia Portrait no teatro Gamboa, no Rio de Janeiro, onde Marilyn cumpriu uma curta temporada junto ao espetáculo OPUS 12. Vale lembrar que antes disso, em setembro de 2013, uma primeira versão do que viria a ser o espetáculo final do Marilyn fora selecionado e apresentado no 14o Festival de Cenas Curtas do Cine Horto, evento organizado pelo Grupo Galpão.
     Também em 2014, em outubro, a dupla viaja para a Itália, Florença, para se encontrar com Giusi Merli e Francesca Della Monica, a fim de iniciarem o intercâmbio e ensaios da versão italiana do espetáculo Tempi di Marilyn.
     Neste ano de 2015 a dupla, agora assumindo o nome Portrait como seu emblema de companhia, apresentou em junho, na Mostra de Dramaturgia Contemporânea do Instituto Capobianco, o inicio do processo de seu espetáculo Não Contém Glúten, que tem as participações potentes de Pascoal da Conceição e Gilda Nomacce no elenco.
     Também em 2015 a companhia iniciou o processo de Chet Baker, Apenas um Sopro, espetáculo esse que no momento está em cartaz no teatro do CCBB-São Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil, no qual podemos ver os medos, as ânsias e a genialidade de um dos maiores ídolos do jazz do século XX, o trompetista Chet Baker.